A Medida Provisória 1303/2025, que regulamenta a reforma tributária no setor de serviços financeiros, está causando grandes preocupações entre especialistas e empresários do setor. Durante o recente Summit Reforma Tributária realizado em Brasília, ficou claro que as mudanças podem representar um retrocesso significativo na inclusão financeira e na inovação que as fintechs trouxeram para o Brasil.
As principais entidades do setor, como a Associação Brasileira de Internet (Abranete) e a Associação Brasileira de Pagamentos (ABIPAG), alertam que essa medida pode comprometer a sustentabilidade das empresas que revolucionaram o sistema bancário brasileiro, especialmente aquelas que atendem pequenos empreendedores e trabalhadores informais.
O que mudou com a Medida Provisória 1303/2025
A Medida Provisória 1303/2025 introduz mudanças significativas na tributação do setor financeiro, com foco especial nas fintechs e empresas de tecnologia financeira. De acordo com Carol Conway, presidente do Conselho da Abranet, os números são alarmantes: a MP aumenta em 60% a tributação sobre a recepção de investimentos e em 65% os tributos dessas empresas.
Essa elevação da carga tributária atinge diretamente as empresas que operam com margens menores e que se especializaram em atender públicos menos bancarizados. As fintechs, que foram fundamentais para democratizar o acesso aos serviços financeiros no país, agora enfrentam um cenário de maior pressão fiscal.
Como isso impacta as operações comerciais
O impacto nas operações comerciais será sentido em várias frentes. Primeiro, as fintechs que oferecem contas digitais gratuitas e serviços de pagamento com baixo custo podem ser forçadas a repassar parte desse aumento tributário para seus clientes finais.
Para pequenos empreendedores que dependem de maquininhas de cartão e contas digitais para receber pagamentos, isso significa custos mais altos para manter suas operações funcionando. O deputado Pedro Lupion também destacou que o crédito agrícola será afetado, especialmente instrumentos importantes como LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) e Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais).
A concorrência saudável que as fintechs trouxeram ao mercado financeiro, forçando bancos tradicionais a reduzirem custos e melhorarem serviços, também pode ser comprometida se essas empresas perderem competitividade devido à maior carga tributária.
Implicações econômicas e logísticas
As consequências econômicas da MP 1303/2025 vão além do setor financeiro. Carol Conway alertou que “o ministro falou que estava tentando pegar o andar de cima, mas, na verdade ele está pegando o andar de baixo”, referindo-se ao fato de que quem mais sofrerá são as pessoas de baixa renda que dependem de serviços financeiros digitais.
Do ponto de vista logístico, a medida pode criar um retrocesso na digitalização dos pagamentos no Brasil. O país avançou significativamente com o PIX e com a popularização de contas digitais, mas o aumento da tributação pode tornar esses serviços menos acessíveis para a população que mais precisa deles.
Especialistas como Raul Moreira, do Banco Original, e Carlos Ragazzo, professor da FGV, destacam que em vez de retrocessos, o país deveria estar avançando em pautas como portabilidade de salário, portabilidade de crédito e ampliação do Open Finance.
O deputado Lupion também relacionou a medida ao descontrole dos gastos públicos, que pressiona o governo a aumentar a tributação, criando um ciclo que encarece o crédito e prejudica a economia como um todo.
O que os empresários devem fazer a seguir
Diante desse cenário, os empresários precisam se preparar para possíveis mudanças nos custos dos serviços financeiros que utilizam. É importante revisar contratos com fintechs e prestadores de serviços de pagamento para entender como os novos tributos podem afetar suas operações.
Para pequenos empreendedores que dependem de contas digitais e maquininhas de cartão, é recomendável:
- Acompanhar de perto os comunicados das empresas de serviços financeiros sobre possíveis reajustes
- Avaliar alternativas no mercado para manter os custos controlados
- Considerar a diversificação de meios de pagamento para reduzir dependência de um único fornecedor
- Buscar orientação contábil especializada para entender como as mudanças podem afetar especificamente seu negócio
Empresários do setor agrícola devem ficar atentos às mudanças nas LCAs e Fiagros, que são instrumentos importantes para o financiamento de suas atividades. Pode ser necessário revisar estratégias de captação de recursos e financiamento.
A Medida Provisória 1303/2025 representa um marco importante na regulamentação tributária do setor financeiro, mas suas consequências práticas ainda precisam ser melhor avaliadas. O que está claro é que empresários de todos os tamanhos precisam se preparar para um cenário de maior tributação sobre serviços financeiros, o que pode impactar custos operacionais e acesso a crédito.
A discussão sobre essa medida provisória mostra a importância de acompanhar de perto as mudanças regulatórias e seus impactos no dia a dia dos negócios. Em um ambiente empresarial cada vez mais digitalizado, alterações na tributação de serviços financeiros podem ter efeitos amplos e duradouros.
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TARGET ASSESSORIA E GESTÃO EMPRESARIAL LTDA
Redação de André Luiz Corrêa – Contador Pleno
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